
No embalo de filmes “imprecisos” (como caracterizei Control em postagem anterior), essa semana fui assistir O retrato de Dorian Gray. Primeiro devo ressaltar que não julgo necessário contrapor a riqueza da obra literária aos interesses do mercado cinematográfico, o que se tratando de Oscar Wilde seria até um critério ligeiramente extravagante. Entretanto não consigo desconsiderar a ousadia de diretores que deixam muito clara a vaidade de suas interpretações e não cessam de inferir valores que verdadeiramente não estão na história, muitas vezes indo na direção oposta às intenções dos grandes escritores.
O enorme teor moral e o desfeche do filme, que limita o enredo ao previsível raciocínio “pecado e castigo”, são completamente dispensáveis. As imagens sombrias e vagas são lacunas do filme, onde caberiam as questões filosóficas de Wilde, cuja a profundidade é inalcançável ao público de pensamento comum. A versão de Oliver Parker sugere mais um rabisco de impressões pessoais, desenhadas às formas "pós-modernas" da juventude atual, que em nada se parece com a densidade da dramaturgia do século XIX.
Apesar dos pesares, há o belo Ben Barnes que adequá-se perfeitamente na descrição de Wilde: "Adônis que se diria feito de marfim e pétalas de rosa".

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