
Honestamente, Joy Division e seu vocalista não estavam no topo das minhas sonoridades prediletas quando assisti Control(2007), a história de Ian Curtis. No entanto, eu costumo levar o rock muito a sério quando se trata de conhecer sobre o que meus cantores e bandas favoritas estão falando, por essa razão o mínimo que se deve buscar é entender a linguagem e a cultura que os influenciou. Ian Curtis foi um estalo no pós-punk, sua desenvoltura no palco e o peso de suas canções influenciaram uma postura gótica que viajou décadas após sua morte sendo adotada por músicos atuais como Billy Corgan( Smashing Pumpkins), Tom Yorke(Radiohead), e bandas como Echo And The Bunnymen e Siouxsie And The Banshees.
O filme endorsa a atmosfera melancólica da musicalidade de Ian Curtis a começar pela escolha de imagens em preto e branco. Uma história biográfica que detalha a vida desse compositor e sua trajetória na banda. As crises epiléticas, relações extraconjugais e sua ausência como pai e marido, são momentos que levam os espectador a visitar esse lado da vida de Ian.
O roteiro baseado no livro "Touching from a Distance", escrito pela esposa de Ian Curtis, sugere uma certa parcialidade que dificilmente se ausentaria em seus relatos a respeito do marido e seus problemas conjugais. E é nesse fio de imprecisão que encontramos controvérsias ainda menos sutis, como a lenda do produtor Tony Wilson assinando o contrato com o Joy Division do seu próprio sangue, e o fato da banda ter tido uma sucessão de bateristas quando no filme é retratada apenas uma formação, entre outros detalhes.
Apesar da obscuridade do enredo, ficou clara a pretensão de Beatriz Curtis (viúva de Ian) e os demais formadores dessa história biográfica apresentar um tesouro de fatos e qualificá-los como sendo a causa do suicídio de Ian. Tentativas como essa são geralmente falidas, ou convencem apenas aqueles que se contentam com perspectivas obtusas. Quase ninguém está apto para julgar ou especular o que passa sob a carne de outro ser humano para tomar decisões como o encerramento da própria vida, mesmo estando sob o mesmo teto.
Creio que se o foco das câmaras estivesse direcionado para a enorme importância musical desse compositor, para seu fluxo criativo e influências artísticas(o máximo que temos é uma cena em que Ian canta e dança uma música de David Bowie na frente do espelho, coisa que 9 entre 10 adolescentes britânicos faziam na década de 70), a obra teria um engrandecimento infinitamente mais relevante. Ao invés de tentarem absorver sua esposa da possibilidade de uma distante incidência sobre a decisão do marido de cometer suicídio, o que teria preservado Natalie(filha de Ian e Beatriz Curtis) de presenciar a pior face do pai que não chegou a conhecer.
Não que eu tenha algo contra o gênero, leio e assisto biografias, o que não se pode admitir é um mercado tendencioso e superficial que visa vender a vida de pessoas que não estão presentes para revogar suas versões.
Para quem quer conferir, "Controle" estará em cartaz no Cine Freud, gratuitamente, 30/03(quarta) às 14:00. Inscrições nesse site: https://spreadsheets.google.com/viewform?hl=en&formkey=dE42eWl3MmZ0SUpjeVU1UkxfcTlxanc6MQ

Que fofo!
ResponderExcluirO filme vai para a lista de ' quero ver' no filmow! x3
já estouseguindo seu blog! segue lá o meu! ;D