
A apresentação de Allysson dos Anjos no Festival Blues Nordeste (CCBN) afirmou a originalidade e o talento de um jovem guitarrista e suas excelentes composições. A começar por sua aspiração aos blues men do delta do Mississipi, suas canções remetem a uma sonoridade crua. Acrescentando diversidade musical e contribuindo para a difusão do estilo na cena local, já rica em grandes artistas que estão conquistando espaço e tornando Fortaleza referência no blues nacional. Características folk e country dão a graça ao que se convencionou chamar de Blues Rural, lembrando que essencialmente o blues não nasceu no glamoroso cenário das grandes casas e concertos da Europa e dos EUA, e sim nas imensas lavouras onde trabalhavam os escravos negros, banhadas por "sangue, suor e lágrima"(perdoe a parafrase, mas os termos são esses).
E é nesse ritmo visceral que o enorme arrebatamento do músico pelo Rock’n’roll se revela, guitarras sujas e cristalinas se alternam durante todo o show, contagiando a platéia com a notória emoção com que Allysson se relaciona com seu instrumento. As letras em sua maioria falam sobre os desafios do homem em sua encruzilhada, desde o “Bitter” sabor do amor, ao ensaio do romance de Lapião e Maria Bonita em “Make Lace Woman”, à sincera tentativa de ser um “Good Boy”. Esses são alguns títulos das composições que ilustrarão o seu primeiro álbum, que tem previsão para lançamento no segundo semestre de 2011.
A banda que o acompanha jaz o cenário ideal para que um grande espetáculo se revele. Jolson Ximenes e Carlos Perdigão, são respectivamente baixo e bateria, ambos com larga experiência musical e destaques em projetos paralelos como Alegoria da Caverna, Transnacionais e Bateria Brasileira. E o momento que os rapazes esperavam, as belas backing vocals Nara Fidelis e Claudine Albuquerque, que impressionam não só pela presença de palco, mas também por seus incontáveis atributos musicais. A assustadora extensão vocal de Nara causa o impacto sonoro das divas do jazz como Aretha Franklin, enquanto Claudine arrepia com o alto potencial de sua voz e timbres similares aos de Janis Joplin e PJ Harvey.
Composições, arranjos, desempenho e improvisos, demonstram a vocação de músico bem como a de produtor. Conseqüência do cenário independente e dos espinhos do que se pode chamar de caminhos alternativos da arte no Ceará. Com sua guitarra e suas canções, Allysson marca o início de um trabalho que por si próprio promete realizar-se, despretensiosamente, galgando os degraus da arte e da vida com grandíssima competência e sentimento.

Assino embaixo. Estive lá e vi tudo ao vivo. Foi muuuito intenso :)
ResponderExcluirOi Lia,
ResponderExcluirObrigado palos elogios ao Mannish Blog. O objetivo inicial era abrir um espaço para as matérias que eu tinha na mão,como produtor e repórter, mas não tinha onde colocar. Pra falar a verdade, a imprensa em Santos é culturalmente fraca e eu, sem muito esforço, ocupo esse espaço.
Abraço.