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domingo, 24 de julho de 2011

Esquartejada

Conheci o trabalho da artista plástica Maïs, na última sexta(22) no Dragão do Mar. A exposição tem o mesmo título de uma de suas principais composições: “Esquartejada”, onde uma mulher em tamanho natural, trajada em azul (se não me falha a memória), tem seu corpo divido em pedaços por caixas de ferro. O rosto coberto por um longo véu já estabelece a primeira divisão do ser feminino, que está escondido atrás dos panos com um rigor carcerário. E o seu corpo que não está factualmente em pedaços, mas as divisões visuais proporcionadas pelas caixas estabelecem a leve ideia de fragmentação do ser a partir dos objetos externos, pois vê-se o corpo apenas através destas quatro ou cinco caixas, uma manobra poderosa, que domina a atenção dos visitantes ao menos pela curiosidade. No salão estavam espalhados outros objetos, alguns incitando aspectos nebulosos ligados à mistério e sofrimento, como um boneco dentro de um cubo transparente com os membros esticados e amarrados, sobre ele o teto de vidro onde agulhas apontavam para a criação sem rosto.


Já na sala ao lado encontrava-se a obra que mobilizou minha atenção e que marcou como a grande experiência daquela visitação. Cobertos por panos em vermelho, o relevo de corpos espalhados no chão despertavam temor. Mesmo com toda a delicadeza da artista, sem expor os corpos diretamente (na direção oposta da última exposição de Yoko Ono em SP, em que os membros não polpavam 'sangue' e as representações de violência eram generosas em minucias de detalhes), não deixava dúvidas da vivência sombria da artista. O desconforto era grande, não só pela visão similar aos cotidianos noticiários onde massacres remontam o horror de dezenas de corpos sem vida estirados a esmo, mas pela incerteza se aqueles não seriam atores camuflados que a qualquer momento se levantariam e o que era de início suspeito tornar-se-ia um freak show. É eu sou muito desconfiada (risos). Felizmente, não é a esse aspecto que a obra evolui no olhar do espectador, depois da familiarização com aquela imagem a emoção chegou ao nível da comoção e do respeito pelos corpos. Custa acreditar que a obra se reduz àquilo, pois o horror ali representado já chegara ao que há de mais trivial, e é muito duro reconhecer isto, que muito do que é infinitamente triste tornou-se banal.


Testemunhei a nudez sutil dos corpos mortos e esquartejados por entre os quais eu caminhava, tentando contemplar e respeitar a pequena amostra de nossa natureza desumana manifesta no mundo. Vi que não era Maïs quem cultuava à decadência do espírito humano, e sim nós, cidadãos comuns que vivemos em nossa incalculável arrogância,crueldade e cinismo. Eu soube que era necessário olhar aquilo e viver aquela experiência, era preciso reconhecer aquela imagem sem nenhuma beleza, era absolutamente preciso.



Por uma vida mais ética


Concluí, com base em minha própria experiência e de pessoas próximas, que o incentivo à diminuição parcial e não total do consumo de carnes pode vir a ser mais eficaz, uma vez que atrai e mantém mais pessoas. Muitas vezes, apesar de conscientes de todos os aspectos éticos e práticos em torno da postura vegetariana, alguns não conseguem sustentar esse hábito por muitos anos, e chegam à desistência geralmente entre o segundo e o quinto ano sem carnes e derivados animais.


(Ser vegetariano por dez anos é pouco, em relação a carnívoros que consomem animais todos os dias mais de uma vez a vida inteira, e o número de "ex-vegetarianos" é alarmante, pois é muito dificil manter uma dieta radical sendo resistente pra sempre.)


Manter uma dieta não-radical, que visa a redução do consumo de animais, sem dúvidas atrairá um número considerável de pessoas que a primeira vista se assustam com a idéia de abandonar uma culinária cultivada desde a terna infância. Mudando gradativamente a sua própria cultura isso convidará sem assombro pessoas próximas, que poderão encarar essa adesão de novos hábitos com mais naturalidade e simplicidade. Com a posse de uma consciência ambiental, social e política, um número crescente de pessoas serão capazes de sustentar essa atitude por mais tempo, isso é, ao longo de toda a vida.


Atualmente, consumo carne três dias por semana, com base na expectativa média de vida, menos 17 anos (que passei com os hábitos alimentares de meus pais), aos 77anos eu terei passado 36anos(+-) de minha vida sem comer 1gm de carne sem quase nenhum sacrifício. Essa é minha meta, terei feito a minha humilde parte para um planeta mais equivalente e equitativo para todas as criaturas, e isso todos podem. Pense nisso.


AS RAZÕES PARA REDUZIRMOS O CONSUMO DE CARNE SÃO MUITAS E MUITO MAIS RELEVANTE DO QUE A MAIORIA DAS PESSOAS IMAGINA, ATINGE DIRETAMENTE A SUA VIDA E A DE TODO O PLANETA. LEIA MAIS A RESPEITO EM: http://liamanfredinni.blogspot.com/2010/02/seja-consciente-campanha-segunda-sem.html

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Georgia Cardoso



Conheci a pintora Georgia Cardoso no projeto Bazar das 6, realizado na Casa das 6 (Fortaleza). A expressão de suas imagens me tomou o fôlego de imediato, apesar de não saber o que retratavam, pressenti que aquele era um trabalho de origem não cotidiana, algo incomum e especial que convidava minha imaginação a mergulhar em sua esfera.

A tela fotografada acima(TÍTULO: A Graça), é a materialização de uma das experiências transcendentais da artista, segundo a própria, que durante o contato com o seu animal de poder - imersa à uma performance xamã - transfigurou o mesmo para essa imagem que assistimos e que pessoalmente estimo.

O mágico sonho feminino

Guilherme de Faria, O sonho de Alma Welt

Estou embarcando nas viagens mágicas dos sonhos de Florinda Donner-Grau, em “Sonhos Lúcidos”. O livro relata as experiências pessoais em sua iniciação no contato com a cultura de índios yaquis. Tomando C. Castañeda como referência de literatura xamã recente, Donner segue a fórmula simples e envolvente de diário em primeira pessoa. Trazendo um viés muito feminino, consegue logo de início se sobressair da sombra do ex marido, apesar de suas semelhanças.

Na cultura xamã há grande respaldo o fato de mulheres terem por essência uma capacidade de abstrair e de captar subjetividades bastante aguçada, possuindo naturalmente o poder de enxergar e adentrar muito além do terreno das obviedades materiais. Donner faz diversas reflexões não convencionais sobre a apoderação do feminino por parte de homens e mulheres, uma vez que há a escravização da mulher por parte de homens, e mulheres que buscam assemelhar-se ao ser masculino, anulando o ser feminino.

Xamãs destacam duas categorias de habilidades inatas: sonhar e espreitar. Donner conta sobre suas experiências iniciais como ensonhadora, isto é, a pessoa capaz de ampliar o campo do que se pode perceber a um ponto inconcebível para a mente. Me instiga em suas narrativas a possibilidade de acessar outros níveis de percepção – deslocar o ponto de aglutinação – e o modo como uma cética alemã percebe que o racionalmente inalcançável é simplesmente um lugar cheio de assombro e mistério.
***

"NEM SEMPRE SE VER MÁGICA NO ABSURDO"

"- Você quer dizer, Don Juan, que um feiticeiro toma a seus sonhos como se
fossem uma realidade?

- Um feiticeiro não toma nada como se fosse outra coisa – contestou. –Os
sonhos são sonhos. Os ensonhos não são algo que se pode tomar como a realidade: os
ensonhos são uma realidade a parte.

- Como é tudo isso? Me explique.

-Você tem que entender que um bruxo não é um idiota nem um transtornado
mental. Um bruxo não tem nem o tempo nem a disposição para enganar a si mesmo,
ou para enganar a ninguém, e menos ainda para dar um passo em falso. O que
perderia fazendo isso é demasiado grande. Perderia sua ordem vital, a qual leva uma
vida inteira para se aperfeiçoar. Um feiticeiro não vai desperdiçar algo que vale mais
que sua vida tomando uma coisa por outra. Os ensonhos são algo real para um bruxo
porque neles ele pode atuar deliberadamente; pode escolher dentro de uma variedade
de possibilidades àquelas que sejam as mais adequadas para levá-lo aonde ele
necessite ir.”

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O rabisco de Oliver Parker


No embalo de filmes “imprecisos” (como caracterizei Control em postagem anterior), essa semana fui assistir O retrato de Dorian Gray. Primeiro devo ressaltar que não julgo necessário contrapor a riqueza da obra literária aos interesses do mercado cinematográfico, o que se tratando de Oscar Wilde seria até um critério ligeiramente extravagante. Entretanto não consigo desconsiderar a ousadia de diretores que deixam muito clara a vaidade de suas interpretações e não cessam de inferir valores que verdadeiramente não estão na história, muitas vezes indo na direção oposta às intenções dos grandes escritores.


O enorme teor moral e o desfeche do filme, que limita o enredo ao previsível raciocínio “pecado e castigo”, são completamente dispensáveis. As imagens sombrias e vagas são lacunas do filme, onde caberiam as questões filosóficas de Wilde, cuja a profundidade é inalcançável ao público de pensamento comum. A versão de Oliver Parker sugere mais um rabisco de impressões pessoais, desenhadas às formas "pós-modernas" da juventude atual, que em nada se parece com a densidade da dramaturgia do século XIX.


Apesar dos pesares, há o belo Ben Barnes que adequá-se perfeitamente na descrição de Wilde: "Adônis que se diria feito de marfim e pétalas de rosa".

terça-feira, 26 de abril de 2011

"O Ato Crítico"




Em “A educação pela noite e outros ensaios” livro de Antônio Cândido, encontrei essa passagem com a qual me identifiquei bastante. Percebo uma urgência angustiada ao me perceber a procura de mecanismos para construção de uma crítica literária real. Enquanto em outras artes o pensamento analítico parece tão confortável e territorialmente pronto para a edificação do ato crítico.

"A crítica literária, creio eu, ainda se acha muito atrasada em relação a crítica de outras expressões artísticas, sobretudo da crítica de artes plásticas, que se orienta pouco a pouco para a descoberta das leis de equílibrio, sensibilidade e invenção sobre as quais se constrói a obra, e assim consegue alcançar alguns princípios gerais mais ou menos estáveis. [...] Quero crer, sem me arvorar em crítico, que por baixo das exterioridades de estilo deve haver um conjunto de qualidade, como as que se descobrem na pintura, capazes de fixar a obra no tempo e fazê-la deslocar-se impunimente no espaço. Seriam qualidade de equilibrio, de sensibilidade e de invenção, correspondendo sem dúvida a uma necessidade essencial do homem. Necessidade de beleza? Sim, mas na medida em que ela for considerada como uma revelação, isto é, se dermos à palavra beleza um sentido tão amplo que já se faça imprescindível inventar outro vocábulo." (p. 135)


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Diário da água

Uma “imagem interna atravessando o limite entre o sonho e a realidade”, para contar as memórias e o nascimento do universo.





A artista plástica e printmaker finlandesa Eeva –Liisa Isomaa (1956), a partir de base fotográfica, imprime nessas imagens uma viagem às paisagens que compõem suas inspirações gráficas. Os materiais escolhidos por Liisa (tecidos, placas em acrílicos, metais...) impressionam pela sutileza com que se misturam às imagens, tudo numa bela harmonia envolvida numa atmosfera nebulosa de delicadeza e romantismo.


Contrastes entre líquido e sólido, sutil e concreto, são dicotomias primárias da natureza e são exploradas em imagens onde água e paisagem são os objetos principais.



O apreciador mais cuidadoso consegue perceber que na simplicidade dos temas escolhidos há técnicas sofisticadas e poderosas, capazes de envolver e transportar aqueles que desejam se aventurar no mundo leve, transparente e delicado de Liisa.


sábado, 26 de março de 2011

Control(2007)



Honestamente, Joy Division e seu vocalista não estavam no topo das minhas sonoridades prediletas quando assisti Control(2007), a história de Ian Curtis. No entanto, eu costumo levar o rock muito a sério quando se trata de conhecer sobre o que meus cantores e bandas favoritas estão falando, por essa razão o mínimo que se deve buscar é entender a linguagem e a cultura que os influenciou. Ian Curtis foi um estalo no pós-punk, sua desenvoltura no palco e o peso de suas canções influenciaram uma postura gótica que viajou décadas após sua morte sendo adotada por músicos atuais como Billy Corgan( Smashing Pumpkins), Tom Yorke(Radiohead), e bandas como Echo And The Bunnymen e Siouxsie And The Banshees.


O filme endorsa a atmosfera melancólica da musicalidade de Ian Curtis a começar pela escolha de imagens em preto e branco. Uma história biográfica que detalha a vida desse compositor e sua trajetória na banda. As crises epiléticas, relações extraconjugais e sua ausência como pai e marido, são momentos que levam os espectador a visitar esse lado da vida de Ian.


O roteiro baseado no livro "Touching from a Distance", escrito pela esposa de Ian Curtis, sugere uma certa parcialidade que dificilmente se ausentaria em seus relatos a respeito do marido e seus problemas conjugais. E é nesse fio de imprecisão que encontramos controvérsias ainda menos sutis, como a lenda do produtor Tony Wilson assinando o contrato com o Joy Division do seu próprio sangue, e o fato da banda ter tido uma sucessão de bateristas quando no filme é retratada apenas uma formação, entre outros detalhes.


Apesar da obscuridade do enredo, ficou clara a pretensão de Beatriz Curtis (viúva de Ian) e os demais formadores dessa história biográfica apresentar um tesouro de fatos e qualificá-los como sendo a causa do suicídio de Ian. Tentativas como essa são geralmente falidas, ou convencem apenas aqueles que se contentam com perspectivas obtusas. Quase ninguém está apto para julgar ou especular o que passa sob a carne de outro ser humano para tomar decisões como o encerramento da própria vida, mesmo estando sob o mesmo teto.


Creio que se o foco das câmaras estivesse direcionado para a enorme importância musical desse compositor, para seu fluxo criativo e influências artísticas(o máximo que temos é uma cena em que Ian canta e dança uma música de David Bowie na frente do espelho, coisa que 9 entre 10 adolescentes britânicos faziam na década de 70), a obra teria um engrandecimento infinitamente mais relevante. Ao invés de tentarem absorver sua esposa da possibilidade de uma distante incidência sobre a decisão do marido de cometer suicídio, o que teria preservado Natalie(filha de Ian e Beatriz Curtis) de presenciar a pior face do pai que não chegou a conhecer.


Não que eu tenha algo contra o gênero, leio e assisto biografias, o que não se pode admitir é um mercado tendencioso e superficial que visa vender a vida de pessoas que não estão presentes para revogar suas versões.


Para quem quer conferir, "Controle" estará em cartaz no Cine Freud, gratuitamente, 30/03(quarta) às 14:00. Inscrições nesse site: https://spreadsheets.google.com/viewform?hl=en&formkey=dE42eWl3MmZ0SUpjeVU1UkxfcTlxanc6MQ

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Allysson Dos Anjos - Conceito de originalidade na cena blues em Fortaleza.



A apresentação de Allysson dos Anjos no Festival Blues Nordeste (CCBN) afirmou a originalidade e o talento de um jovem guitarrista e suas excelentes composições. A começar por sua aspiração aos blues men do delta do Mississipi, suas canções remetem a uma sonoridade crua. Acrescentando diversidade musical e contribuindo para a difusão do estilo na cena local, já rica em grandes artistas que estão conquistando espaço e tornando Fortaleza referência no blues nacional. Características folk e country dão a graça ao que se convencionou chamar de Blues Rural, lembrando que essencialmente o blues não nasceu no glamoroso cenário das grandes casas e concertos da Europa e dos EUA, e sim nas imensas lavouras onde trabalhavam os escravos negros, banhadas por "sangue, suor e lágrima"(perdoe a parafrase, mas os termos são esses).
E é nesse ritmo visceral que o enorme arrebatamento do músico pelo Rock’n’roll se revela, guitarras sujas e cristalinas se alternam durante todo o show, contagiando a platéia com a notória emoção com que Allysson se relaciona com seu instrumento. As letras em sua maioria falam sobre os desafios do homem em sua encruzilhada, desde o “Bitter” sabor do amor, ao ensaio do romance de Lapião e Maria Bonita em “Make Lace Woman”, à sincera tentativa de ser um “Good Boy”. Esses são alguns títulos das composições que ilustrarão o seu primeiro álbum, que tem previsão para lançamento no segundo semestre de 2011.
A banda que o acompanha jaz o cenário ideal para que um grande espetáculo se revele. Jolson Ximenes e Carlos Perdigão, são respectivamente baixo e bateria, ambos com larga experiência musical e destaques em projetos paralelos como Alegoria da Caverna, Transnacionais e Bateria Brasileira. E o momento que os rapazes esperavam, as belas backing vocals Nara Fidelis e Claudine Albuquerque, que impressionam não só pela presença de palco, mas também por seus incontáveis atributos musicais. A assustadora extensão vocal de Nara causa o impacto sonoro das divas do jazz como Aretha Franklin, enquanto Claudine arrepia com o alto potencial de sua voz e timbres similares aos de Janis Joplin e PJ Harvey.
Composições, arranjos, desempenho e improvisos, demonstram a vocação de músico bem como a de produtor. Conseqüência do cenário independente e dos espinhos do que se pode chamar de caminhos alternativos da arte no Ceará. Com sua guitarra e suas canções, Allysson marca o início de um trabalho que por si próprio promete realizar-se, despretensiosamente, galgando os degraus da arte e da vida com grandíssima competência e sentimento.



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Festival Blues do Nordeste

Nos dias 16 e 17 de Fevereiro no CCBNB (Fortaleza), o guitarrista e compositor Allysson Dos Anjos apresentará pela primeira vez seu repertório totalmente autoral, com canções inéditas que integrarão seu próximo trabalho de estúdio, o qual se encontra em fase de produção, e tem lançamento previsto para o segundo semestre deste ano.
Nas duas apresentações, Allysson contará com os músicos: Jolson Ximenes (Baixo), Carlinhos Perdigão (Bateria) e Ivo Correia (Gaita), além da presença marcante das cantoras: Nara Fidelis e Claudine Albuquerque, que darão ao espetáculo aquele saudoso clima da "Black Music".
Porém, o ponto alto deste show se reserva a participação especial dos alunos de percussão do Projeto ABC Cultural (Ponto de Cultura da ACR em Maracanaú), onde o guitarrista é professor do núcleo de musicalização.
Esta parceria pretende fundir a batida do velho Blues com elementos de Maracatu e música Africana, duas apresentações que prometem revelar que o blues nordestino é permeado de autenticidade, originalidade e acima de tudo a musicalidade brasileira é um misto de variados timbres, cores e idiomas.
O Centro Cultural Banco do Nordeste realizará de 2 à 24 de fevereiro, o Festival Blues Nordeste, evento que reúne 9 bandas e 18 shows gratuitos.

Num total de 18 shows, realizados por nove bandas da cena do Ceará, acontecerá o festival Blues Nordeste, no Centro Cultural Banco do Nordeste de Fortaleza. Todas as bandas e artistas solos farão dois shows em dias e horários diferentes. As apresentações acontecem sempre às 13 horas e às 18 horas.

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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Kinsey(2004) - Vamos falar de sexo



"A maioria pensa que o que faz sexualmente é o que todos fazem ou deveriam fazer. Mas devo ressaltar que quase todas as chamadas “perversões” estão dentro dos limites da normalidade biológica. Por exemplo: masturbação, contato oral-genital e atos homossexuais, são atos comuns entre animais mamíferos, incluindo humanos. A sociedade pode condenar tais práticas com base moral, no entanto é absurdo chamá-las de “anormais”. Mas segundo Gênesis, e a opinião pública, só existe uma equação sexual correta: homem mais mulher igual a bebê. [...] Em relação à sexualidade, é difícil dizer o que é comum ou raro porque sabemos tão pouco sobre o que todos realmente fazem. Isso faz muitos de nós sentirem angústia ou culpa. “Tenho interesse pelo que é certo?”, “Faço o que é normal?”. [...] Porque somos todos diferentes. O problema é que todas as pessoas querem ser iguais. Acham mais fácil ignorar esse aspecto fundamental da condição humana. Querem tanto fazer parte de um grupo que traem sua própria natureza para conseguir isso. Se existe algo que lhe causa prazer e cria forte desejo, e esse algo é proibido isso se torna uma obsessão. Pensem nisso ." (Alfred Kinsey)



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sonic Youth - Opinião



Estava tão enervado e ofendido por causa do meu "comentário" sobre sua banda favorita, que bastava eu lançar um olhar rasteiro em sua fisionomia distorcida para incitar meu pensamento a escutar aquele som estridente das cordas de Sonic Youth.
Era chato, ué. Era chato para mim ter que ouvir uma seqüência de barulhos que não se encaixam, aglutinados em melodias que duram eternamente, ecoando em várias camadas violentas de som, como se no percurso dessas ondas sonoras ela entrassem nos canais de meus ouvidos e com agulhas abrissem arranhões sangrando minha audição. Eu fechei os olhos e o som se encerrou como um trem que freia no trilho antes que a viagem chegue ao fim, um silêncio estranho se perpetuou por alguns segundos em minha cabeça confusa. Mas então abri os olhos e ele não estava mais lá. Solidão. É por isso que eu odeio opinião!

Esse texto foi escrito há mais ou menos um ano atrás, ironicamente, "Dirty"(1992) se tornou um dos discos mais escutados(voluntariamente, diga-se de passagem.[risos]) por mim nas últimas semanas. O agressivo que induz o fluxo criativo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Poesia - No meio do caminho uma poesia


Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e nao estamos de maos enlaçadas.
(Enlacemos as maos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e nao fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as maos, porque nao vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixoes que levantam a voz,
Nem invejas que dao movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
Pagaos inocentes da decadencia.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as maos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A Vaca e o Hipogrifo - Presentes de Amigos

Esse livro que agracia minha biblioteca eu ganhei do meu amigo gaúcho Rogério. Repleto de poemas, crônicas, insights... Gostoso de ler! Como um passeio no parque na primavera onde podemos encontrar diversas paisagens cheias de formas distintas, mas sempre com a mesma atmosfera.

NARIZ E NARIZES

"O segredo da arte - o segredo da vida - é seguir o seu próprio nariz.
Não deixes que outros lhe ponham argola.
Sim, é verdade que há narizes tortos, uns para a esquerda, outros para a direita... Não perca tempo, telefone ao Pitanguy.
Um verdadeiro nariz conduz para a frente."(p. 50)

NO PRINCIPIO DO FIM


Há ruídos que não se ouvem mais:
- o grito desgarrado de uma locomotiva na madrugada
- os apitos dos guardas noturnos quadriculando
como um mapa a cidade adormecida
- os barbeiros que faziam cantar no ar as suas tesouras
- a matraca do vendedor de cartuchos
- a gaitinha do afiador de facas
- todos esses ruídos que apenas rompiam o silêncio.
E hoje o que mais se precisa é de silêncios
que interrompam os ruídos
Mas que se há de fazer?
Há muitos – a grande maioria – que já nasceram no barulho. E nem sabem, nem notam, por que as suas mentes são tão atordoadas, seus pensamentos tão confusos. Tanto que, na sua bebedeira auricular, só conseguem entender as frases repetitivas da música Pop. E, se esta nossa “civilização” não arrebentar, acabamos um dia perdendo a fala – para que falar? Para que pensar? Ficaremos apenas no batuque:
Tan!tan!tan!tan!tan! (p. 135)


PAUSA


Quando pouso os óculos sobre a mesa para uma pausa na leitura de coisas feitas, ou na feitura de minhas próprias coisas, surpreendo-me a indagar com que se parecem os óculos sobre a mesa.
Com algum inseto de grandes olhos e negras e longas pernas ou antenas?
Com algum ciclista tombado?
Não, nada disso me contenta ainda. Com que se parecem mesmo?
E sinto que, enquanto eu não puder captar a sua implícita imagem-poema, a inquietação perdurará.
E, enquanto o meu Sancho Pança, cheio de si e de senso comum, declara ao meu Dom Quixote que uns óculos sobre a mesa, além de parecerem apenas uns óculos sobre a mesa, são, de fato, um par de óculos sobre a mesa, fico a pensar qual dos dois – Dom Quixote ou Sancho? – vive uma vida mais intensa e, portanto mais verdadeira…
E paira no ar o eterno mistério dessa necessidade da recriação das coisas em imagens, para terem mais vida, e da vida em poesia, para ser mais vivida.
Esse enigma, eu o passo a ti, pobre leitor.
E agora?
Por enquanto, ante a atual insolubilidade da coisa, só me resta citar o terrível dilema de Stechetti:
“Io sonno um poeta o sonno um imbecile?”
Alternativa, aliás, extensiva ao leitor de poesia…
A verdade é que a minha atroz função não é resolver e sim propor enigmas, fazer o leitor pensar e não pensar por ele.
E daí?
– Mas o melhor – pondera-me, com a sua voz pausada, o meu Sancho Pança – , o melhor é repor depressa os óculos no nariz. (P. 61)




Rogério é pioneiro em projetos literários independentes. Além de poeta, é organizador de magníficos concursos de poesia, e há pelo menos 3 anos está a frente da Gincana Literária da comunidade é “Proibido Proibir”. Convertendo o supostamente infértil terreno das redes sociais num palco de grandes artistas. Uma iniciativa exemplar!







segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Cold Souls(2009) - Almas a venda



“No circo, quando filhotinho o elefante é preso numa estaca fincada no chão.
Ele ainda é fraquinho e não consegue se soltar.
Acontece que anos passam e o elefante cresce quatro metros de altura e dez toneladas.
Tem força para derrubar uma parede de tijolos!
Ainda assim, ele acredita que não pode mover aquela estaca.
E permanece preso para sempre.
Essa estaca é sua alma, imagine como seria se pudesse se livrar dela.”
(Cold Souls)


sábado, 1 de janeiro de 2011

O Pecado de Caetano

A passagem do ano novo foi na Praia de Iracema. O meu intuito de ir até lá era principalmente ver o espetáculo dos fogos acima do mar e lógico, receber a benção do "deus" Caetano. Quando chegamos por volta das vinte e duas horas e pouco a apresentação já havia começado. A multidão nos impedia de assistir, ouvíamos apenas o som, enquanto íamos nos aproximando do palco com toda a nossa valentia para ver Caetano de fato. Quando percebemos de forma indubitável que o show era aquilo que suspeitávamos que não poderia ser, um misto de curiosidade e desapontamento nos consumiu. Era Caetano e seu violão, era a cara e a coragem, era a grande comemoração de Fortaleza, era a maior festa do ano no aterro da praia de Iracema, eram centenas de milhares de pessoas, e era um show totalmente intimista. Como assim? No inicio a minha indignação foi com a falta de carinho e também de respeito para com o público e com a cidade por parte ou dos organizadores ou do próprio Caetano ou de ambos. Por conta de um suposto resfriado a qualidade de sua voz estava obviamente comprometida, o repertório selecionado contava com músicas melodiosas (algumas beirando a melancolia), notoriamente mal ensaiadas e os improvisos instrumentais ao manusear de seu violão jamais foram seu ponto alto.

É clássica a qualidade da obra concebida por Veloso, ela está no lugar reservado aos grandes gênios da música brasileira – e a pouco alguns tentam elevá-lo à qualidade de música universal. Saber de sua excelência talvez o tenha colocado numa zona de conforto que o impede de tornar-se melhor que o previsível. Nesse caso não estava previsto que esse gênio poderia sujeitar-se a possibilidade do mediócre, para mim foi uma surpresa. Esperávamos o espetáculo musical proporcionado por suas melhores composições, esperávamos a alegria avassaladora da força de sua poesia voraz, e esperávamos principalmente mais presença de espírito.

POR OUTRO LADO...

...a simpática sambista Mart'nália fez a poeira subir. Sua voz e energia invadiram nossos corações, junto as batidas da inconfundível bateria da Vila Isabel. Nos trouxe magia, ritmo, emoção e muita alegria nas primeiras horas de 2011. Uma maneira sensacional de começarmos o ano!



sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Bem-vindo 2011 !!!

Existem ações simbólicas que criam imagens capazes de configurar nossa realidade de acordo com o nosso propósito no mundo, as confraternizações de final do ano podem ser uma delas. Os desejos, a esperança, a oportunidade de destruir um ciclo para iniciar outro completamente novo segundo a sua vontade. É a hora de escolher a prosperidade, a saúde, a força, a fé,a alegria, a sabedoria, a paciência, o trabalho, a arte, o sorriso, o amor e a felicidade. Que o tempo seja magnífico em 2011!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A amizade verdadeira

Cézanne, “Jogadores de Cartas”, Acervo Musée d’Orsay, Paris, Fontes: www.musee-orsay.fr/

Quando vim morar em Fortaleza experimentei a sensação de abandonar todo o meu passado em minha cidade natal. Era libertador e doloroso, mas demoraria algum tempo até que eu sentisse os verdadeiros efeitos dessa atitude, como a independência - a verdadeira, aquela que te obriga a tornar-se íntegro e responsável - e a saudade. Saudade especialmente dos amigos de infância, das brincadeiras, dos desenhos de nuvens que olhávamos horas e horas no céu deitados na rede da varanda.

Há algumas semanas eu fui visitar uma amiga de infância, umas das mais significativas influências de minha vida. Enquanto caminhava até sua casa lembrava da época de adolescente em que eu corria todos os dias a sua porta para contar minhas façanhas, o novo disco que eu havia conseguido, como tinha falado com aquele rapaz ou brigado com minha mãe, tudo nos mais ínfimos detalhes, e em tudo havia uma emoção que envolvia nossa amizade e aquela cumplicidade a fortalecia. Minhas brincadeiras e seus conselhos eram preciosos, e nossas horas juntas eram por demais agradáveis. Sentia-me ansiosa, pois naquele dia após anos e anos eu iria reencontrá-la, meu coração estava acelerado, havia tanto tempo desde a última vez. O seu rosto era o mesmo, seu sorriso, seu gestual, mas algo havia mudado, apesar de nos abraçarmos e conversarmos com muita fluidez, não era mais a mesma sensação. Eu mudei, pensei com meus botões, deve ser apenas isso. Mas não, percebi que dialogava com uma estranha conhecida a cada assunto que tomávamos como tema de nossa conversa, não me sentia a vontade para falar sobre meu ponto de vista a respeito da vida, do trabalho, do amor, enfim, sentia-me quase constrangida. E tudo piorou quando ela começou a tentar me converter a sua religião, e foi então que meu incomodo extremou-se de tal maneira que tive que cumprimentá-la e ir embora. Liguei para ela alguns dias depois, tinha a intenção de convidá-la para tomarmos um café, mas hesitei e apenas joguei conversa fora e depois desliguei.

Estava perplexa, naquela tarde em que a visitei fora como se nossa amizade fosse um corpo morto estendido diante dos nossos pés, e aquele telefonema fora algo como uma tentativa de ressuscitação. Porque hesitei? Talvez eu não quisesse nos ressuscitar, talvez eu quisesse seguir em frente e aceitar o tempo e o espaço, talvez eu não quisesse macular a beleza de uma amizade verdadeira que é muito maior do que somos hoje em nossa forma humana, tanto eu quanto ela. Percebi que nossa amizade só estava morta quando estávamos juntas, uma na presença da outra. Que em nossa ausência ela estava mais viva do que nunca, porque era sem sombra de dúvidas algo maravilhoso e vívido em nossa lembrança e no lugar que sua força passou a ocupar no universo. Lembrei inevitavelmente do conto de Clarisse Lispector, “A amizade verdadeira”. Acho que nunca mais devíamos nos falar, só para manter a amizade.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Quando Carlos pediu ajuda a Dom Juan

Cheguei a procurar Dom Juan, para lhe pedir ajuda. Foi a única vez em que pedi auxílio. Ele ouviu minha solicitação e deu uma gargalhada. Só pude comentar sobre o que me pareceu sua insensibilidade.

- O que quer que eu faça? - perguntou.

Respondi que, já que ele era um feiticeiro, talvez pudesse ajudar-me a recuperar o meu amiguinho, para aliviar-me

- Você está enganado. Um guerreiro não procura nada para consolar-se. - disse ele, num tom que não admitia réplicas.

Depois, passou a destruir meus argumentos. Disse que um guerreiro nunca podia deixar nada ao acaso, que o guerreiro alterava os resultados pela força de sua percepção e seu propósito inquebrantável. Disse que se eu tivesse tido o propósito inabalável de guardar e ajudar aquela criança, eu teria tomado medidas para garantir que ficasse comigo. Mas, no caso, o meu amor não passava de uma palavra, um repente inútil de um homem vazio. Depois, me falou coisas sobre o vazio e o completo, mas eu não quis ouvir. Eu só sentia uma impressão de perda e o vazio que ele mencionava, eu tinha certeza, referia-se à sensação de ter perdido alguém insubstituível.

- Você o amava, honrava o espírito dele, você lhe desejava o bem, agora tem de esquecê-lo.

(Passagem do livro "O Segundo Círculo do Poder" de Carlos Castañeda)

Todas as cartas de amor são ridículas

Nessa época do ano existe um ser, para mim indefinido, chamado espírito natalino, e faz parte do ritual que evoca o tal espírito natalino a troca de presentes.

Certo dia uma amiga aproximou-se de mim e falou sobre um presente peculiar que seu namorado pedira no natal, ele queria uma carta. Como se escreve uma carta pro namorado? Ela me perguntou, comecei a fazer uma descrição estrutural "primeiro vocativo, salta uma linha, escreve um cumprimento..." ela riu e disse que na verdade queria saber o que expressar nessa carta.

Eu que sempre escrevi muitas cartas, embora tenha enviado poucas, sei todas elas me expunham a uma condição tão humana que meus sentimentos não suportaram a idéia de me mostrar daquela forma, de cara limpa, e as cartas se tornaram uma coisa como uma máscara que eu entregava para que pudessem ver meu rosto.

Seja verdadeira, eu disse, e não a leia mais de uma vez para não perder a coragem de entregá-la. Me intrigou muito mais o pedido do namorado que o pedido de auxílio de minha amiga, pois ela não sabia o que escrever, mas tenho uma intuição de que ele já sabia o que queria ler. Não se pede uma carta de amor como uma carta de recomendação. Quantas cartas ele escreveu ao papai Noel invocando o seu espírito natalino? Quantas cartas de amor ele escreveu evocando um presente almejado? Ela o entregou a carta dentro de uma garrafa de vidro, dentro dela havia um barquinho e junto ao barco a carta. Ela mostrou o presente a todos, algumas pessoas ficaram emocionadas, mas apenas uma fez um comentário, suspirou e disse: Nossa, que coisa... ridícula!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Favoritos Folk


Tim Buckley. Volta e meia percebo que alguns cantores são capazes de criar caminhos através de suas composições para chegarmos até eles. Assim foi com Tim, eu conhecia suas músicas, mas não o autor, então através do disco solo de Brendan Perry que regravou sua música “I Must to be Blind”, cheguei a Tim Buckley e a esse magnífico cd “Blue Afternoor”, que me encantou por suas letras, suas melodias sensíveis e ousadas, e pela atmosfera transmitida por suas construção musical. Eu costumo lavar pratos ouvindo este disco, tenho a sensação de está em ótima companhia quando sozinha em casa. Mais tarde cheguei ao seu álbum mais conhecido que é o “Good bye and Hello!”, onde a canção “I never asked to be your montain” merece destaque, por na minha humilde interpretação tratar da complexidade dos sentimentos românticos e dos paradoxos que nascem das relações amorosas quando duas pessoas se chocam com os mundos individuais de cada um.

Nick Drake. São raros os discos que fazem sentir a suavidade e a beleza da música tal qual na voz e nos acordes aveludados de Drake. “Pink Moon” é o disco; sensual, sensível, intelectual, realista, romântico, simples, sincero... Eu me tornei fã desse homem, mas em todos as minhas pesquisas não pude descobrir muito mais do que suas canções já falavam por si mesmas. Nick era um homem misterioso, cheio de desafios interiores, e completamente, incomensuravelmente fascinante. Até onde se sabe, Drake nunca teve um relacionamento amoroso, só amizades intensas e duradouras com duas mulheres, talvez isso seja característico de sua forma de viver e falar sobre o amor e sobre os sentimentos em geral de formas tão singulares, e para mim tão preciosas. É som para ouvir (muito bem) acompanhada embaixo das cobertas.

Joni Mitchell. Simplesmente deixe a energia da voz magnética da hipnotizante Joni Mitchell entrar nos seus canais auditivos e viaje por uma estrada de terra com essa caminhante solitária. “Blue” é um épico. Depois do alvoroço de tornar-se famosa e aclamada, tímida, Joni se recolhe numa floresta do Canadá e é a luz de livros de psicologia e uma profunda reflexão sobre a vida, o amor e suas escolhas, que nasce esse disco de 1971. Sua rica criatividade musical marca o que críticos convencionaram chamar de “os estranhos acordes de Joni” já que a moça aprendeu a tocar violão sozinha, e criou uma harmonia musical muito característica. Sua incrível extensão vocal que chega a alcançar duas oitavas e meia, é uma das inúmeras qualidades do som dessa artista ímpar. Um disco para ficar marcado entre os maiores do século XX.




sábado, 10 de abril de 2010

"Hay que comer"

Um horror minha filha, nojento!

A exposição de Carlo Alonso não escandalizou somente minha mãe, muitas pessoas ficaram chocadas com a sinceridade dos apelos trágico das obras do pintor argentino, entitulada "Hay que comer". Como tema central "a carne" ilustra a reconstrução da Argentina na década de setenta retratando a violência social, a política, o assalto ao poder e o terrorismo do estado, por meio da carne. Nas telas há várias manifestação do erotismo retratado pelos corpos expostos, na maioria das vezes estabelecendo uma relação entre opressores e oprimidos, metáfora dos grupos de poder e as pessoas humildes. Naquelas imagens onde apenas parte de pessoas aparecem é representado a presença dos desaparecidos, que são estabelecidos como vítimas anônimas ou um familiar ausente. Além do discurso social por trás do impacto do teor sensual das imagens, está o próprio amor carnal, meio de aliviar a dor de vivenciar a miséria física e espiritual vivenciada pelo artista e por um país inteiro.

Considero importante ressaltar que no ano de 1976 após o golpe de estado sua filha Paloma desapareceu e nunca foi encontrada, nesse mesmo ano Alonso foi exilado na Itália. Creio que isso tenha influenciado tremendamente na profundidade do impacto violento que suas imagens têm sobre os observadores.

"Para Carlos Alonso, a arte se transformou em um meio onde pôde curar as feridas do mundo real"

Mamãe não desconfiava que as mulheres penduradas como carne em frigoríficos foram inspiradas por sentimentos de amor em uma época de fome e guerra.

***

quinta-feira, 4 de março de 2010

Patrimônio Histórico na UTI da cultura nacional!



".. ele e dois irmãos são as últimas três pessoas no planeta que se comunicam num dialeto africano oriundo do Banto. Na África, essa língua já é extinta e provavelmente vai morrer junto com eles. Isso é triste, o Brasil ainda não soube dar valor merecido à riqueza, cultura e história dos descendentes quilombolos e dos afrodescendentes. O Brasil não pode ignorar essa dívida social!"

Imagina o universo de conhecimento e mistério é velado numa língua como essa que simplesmente irá desaparecer, como um planeta que desaparecerá em poucas décadas e tudo o que sobrará de sua existência será algo como uma poeira cósmica. Sim e o que isso influencia na minha vida? A pergunta na verdade é: Por que isso NÃO influencia na sua vida?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Eu sei que vou te amar - Arnaldo Jabor

Essa foi a minha leitura no carnaval em minhas mini férias em Curitiba.

Espero que vocês também apreciem.

O livro foi lançado a partir do roteiro do filme de mesmo título lançado em 1986 e que premiou a extraordinária Fernandinha Torres com o prêmio de melhor atriz em Cannes. O que se poderia chamar de “história de amor” de um jovem casal que se reencontra após a separação e embrenham-se num diálogo de verdades indizíveis e inevitáveis, uma discussão sigmundfreudiana que cala os limites entre a carne e a alma.
Para compreender melhor o livro é bom que se tenha visto o filme – ouvi muitos comentários de pessoas que só leram o livro e disseram: “Achei tudo sem pé nem cabeça.” faz sentido – E pra que se possa absorver o texto com mais calma, porque o ritmo do filme é mesmo muito frenético, é sempre bom ler o livro.

Filme - Eu sei que vou te amar


"Será que eu nunca mais vou te esquecer? Será que eu nunca mais vou olhar no espelho sem ver você refletido? Será que nunca mais vai chover sem eu ver a chuva molhando o teu rosto?
Nós somos sobreviventes de um desastre... mas eu quero te dizer que... aconteça o que acontecer... quero que você saiba... quero que você diga para as mulheres que você conhecer... que lá no fundo... onde eu fui... é só escuro... e lá, na solidão completa, de repente surgem uns peixes luminosos... embriões flutuando à sua volta... os filhos de tua coragem... e você começa a subir de volta... sentindo uma alegria nova... e não é a tal da “purificação pelo sofrimento” não, é ver... ver que há qualquer coisa eterna na tua loucura... que tua loucura é eterna... real... como o vento... o fogo... as árvores que se moviam na minha infância... hoje minha loucura é verdadeira como as coisas... e aí eu comecei a me sentir uma habitante do planeta, eu sou a verdade... e quero que saiba também que quando vejo você caído no chão, fraco feito um trapo... você passa a ser meu herói de novo... engraçado... quanto mais fraco você fica, mais gosto de você... nós dois... destruídos... sem pose... desamparados... aí eu nos quero... aí eu nos amo... eu acho que a gente tem hoje uma dignidade que nunca teve... era isto que eu queria te dizer...te dar... como um presente de amor.
"


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Jardim Botânico de Curitiba



Quando mencionamos a bela capital Curitiba o que nos ocorre, além de muito frio, é uma cidade ecologicamente exemplar, talvez por isso o cartão postal mais conhecido e visitado do Paraná seja o Jardim Botânico de Francisca Maria Garfunkel Richbieter (ou simplesmente Jardim Botâncio de Curitiba) e sua Estufa.

Com mais de um quarto de quilômetros quadrados, para aqueles visitantes que desejam apreciar com calma as maravilhas do jardim, acredito que seja necessário um dia inteiro de caminhadas e ainda não terá visto tudo. Mas o prazer de contemplar um espaço preenchido pelo que há de mais belo na natureza transmite uma paz tão grande que compensa!

Entretanto devo confessar: a Estufa me frustrou. Esperava encontrar algo como um castelo de vidro imenso onde cultivariam uma infinidade de espécies de plantas e flores de todas as partes, mas não, ela é pequenininha na verdade. As fotos enganam!


Atrás da Estufa fica situado o Espaço Cultural Frans Krajberg onde não se pode deixar de visitar a exposição permanente “A Revolta” de Frans Krajcberg. O nome "A Revolta" expressa o sentimento do artista com relação à destruição sem limites provocada pelo homem nas florestas brasileiras.

O projeto é do arquiteto Abrão Assad e foi inaugurado em 5 de outubro de 1991.


Eu by Cris Leite (mamãe)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Vik Muniz


Não é preciso dedicar muita observação para compreender porque as obras de Vik Muniz têm sido aclamadas no mundo inteiro. O brasileiro filho de telefonista e garçom, viveu em São Paulo onde iniciou seus estudos, até o dia em que levou um tiro na perna ao tentar apartar uma briga de rua, o autor do disparo era ironicamente quem Muniz tentava defender que para compensar o descuido ofereceu-lhe uma boa quantia de dinheiro, e dessa forma financiou uma viagem a Chicago nos Estados Unidos, o que se tornara a grande chance da carreira de Vik.

Inicialmente escutor, percebeu que suas obras fotografadas identificavam melhor o seu propósito, pois a luz, os ângulos, a perspectiva, tudo influenciava no resultado artístico."Sempre levei o humor muito a sério." ele diz. Suas obras são feitas das matérias mais inusitadas, como uma Mona Lisa de manteiga de amendoim e geléia, e a série Pictures of Garbage (Imagens de Lixo).

Hoje, vivendo em Nova York, Muniz tem seu trabalho reconhecido no mundo inteiro, suas obras estão espalhadas em acervos particulares em diversos continentes, e tanto o público quanto a crítica têm aberto portas com comentários e artigos excelentes sobre esse artista.

Quando saímos da exposição sentimos que há um mundo de possibilidades na arte no que há de mais cotidiano, que Muniz realizou o que nós ignoramos.


MENINOS DE AÇUCAR

A série Meninos de Açúcar é uma metáfora que retrata a realidade dos meninos caribenhos que ainda não amargaram às penas de um regime semi-escravo nos canaviais como seus pais. “A radiosa infância daquelas crianças vai certamente ser transformada, pelo açúcar, em açúcar”.


DIVAS DE DIAMANTE

As imagens de Brigitte Bardot e Elizabeth Taylor em diamantes e caviar parecem ser as queridinhas do público.


CHE GUEVARA
"Che Guevara desenhado em geleia - obras perecíveis produzidas para serem eternizadas em fotografias"

IMAGENS DO LIXO


A menina Isis foi construída inteiramente com lixo.

Assista Vik replicando a famosa pintura da Venus com lixo:
Para mais informações sobre Vik Muniz acesse: http://www.vikmuniz.net/




domingo, 14 de fevereiro de 2010

Seja Consciente! Campanha Segunda Sem Carne


VAMOS MUDAR OS PADRÕES DE CONSUMO!
Uma vez por semana, não coma carnes.

"Hoje passar um dia sem comer carne é a mudança mais importante que cada um pode fazer, pois atinge, de uma só vez, o cerne dos problemas políticos, éticos, ambientais e sociais. É uma mudança que afeta não apenas as mudanças climáticas como também melhora a saúde, provê tratamento mais ético aos animais, combate a fome global e colabora com o ativismo político e comunitário." (Paul McCartney)

Os animais são seres sencientes, isso é, têm a capacidade de sofrer, sentir dor e prazer


Em todo mundo são criados cerca de 56milhões de animais para virar comida todos os anos, de acordo com o Worldwatch Institute. Destes, 67% são criados em granjas "industriais".


Nessas granjas a indústria tem submetido animais à processos hormonais que fazem com que seu crescimento triplique de velocidade, de forma que assim são abatidos em até 45 dias para atender a demanda de consumo, quando normalmente deveriam viver ao menos 120 dias para ter maturidade mínima para que pudessem ser abatidos².


Por consequência da disproporção em seu crescimentos muitos animais não têm força sequer para andar, sofrem com insuficiência respiratória, e os galpões fechados não permitem que haja nenhum contato com a natureza nem mesmo com a luz do sol. A crueldade a qual os animais são submetidos por esses processos biológicos é inimaginável. (Você acha que pode ser possível ter uma alimentação saudável comendo animais que foram submetidos a essas condições de saúde? Então siga lendo.)

Embora o crescimento acelerado desses animais, seus orgãos não acompanham a evolução e subdesenvolvidos ficam vulneráveis à doenças e infecções.Para que não haja mortes e prejuízo, os criadores introduzem pequenas dozes de antibióticos nos animais, mas que em um ano chegam a somar 8% de sua alimentação.

Para quem não sabe o uso de antibiótico faz com que surjam cepas de microorganismos resistentes a estas drogas, sendo necessária a descoberta constante de novos remédios mais eficazes, aumentando consideralvente o custo do tratamento das infecções, e também criando doenças graves e resistentes, que são um perigo para a saúde pública.

Cientistas afirmam que o uso abusivo de antibióticos em seres humanos e animais está levando a um problema que são as infecções resistentes a medicamentos que mataram mais de 65mil americanos no último ano.

Uma dieta com menos carne diminui em 31% a morte por infarto e 50% o risco de contrair diabetes entre outras doenças.

Além de todos esses problemas a mais recente das discursões internacionais é a devastação da Amazônia pelo avanço do gado para atender a demanda crescente de exportação de carne. A cada segundo uma área de floresta tropical do tamanho de um campo de futebol é desmatada para produzir carne bovina.

A criação de gado é responsável por cerca de 18% do efeito estufa, ao passo que o transporte corresponde a 13%.


A SOLUÇÃO PARA ESSES E OUTROS PROBLEMAS SÃO A DIMINUIÇÃO NÃO TOTAL, MAS PARCIAL NO CONSUMO DE CARNE!

"Se comessemos carne três vezes por semana ao invés de todos os dias, a demandas seria muito menor."

"Podemos continuar a comer carne sem derrubar mais nenhuma árvore."

"Nenhuma forma de violência vale à pena."

²Fonte: documentário Food Inc. (by Robert Kenner) que mostra a realidade da indústria alimentícia nos EUA e no mundo.
³Wikipédia


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Food with a Conscience



Alimentando-se com consciência. Você sabe de onde vem aquilo o que você lança para dentro do seu corpo?

O documentário “Food Inc.” lançado em junho 2009 nos estados unidos trouxe consigo uma onda de debates e questionamentos sobre a indústria alimentícia nos Estados Unidos e no mundo. O “american way life” que não está restrito ao país norte-americano influencia num comportamento alimentar inadequado e aniquilador de uma vida saudável. A demanda do consumo excessivo de carne sustenta uma indústria que visando o lucro cria verdadeiras aberrações para suprir a nossa inesgotável fome de carne. Nos EUA 70% dos antibióticos consumidos são destinados ao gado, porcos e galinhas. Em nível mundial, esse tipo de consumo é equivalente a 50% do total. Vale à pena assistir!

Aqui estou lançando dicas de sites com mais informações:

- Alternativas à Carne

http://www.casa-indigo.com/artigos/alternativas_carne.asp

- Sociedade Vegetariana Brasileira

http://www.svb.org.br/vegetarianismo/

- Receitas Vegetarianas

http://www.rudgesbc.com.br/culinaria/vegetarianos/vegetarianos.html

- Dicas Nutricionais

http://www.acessa.com/viver/arquivo/nutricao/2003/03/7-Cristina/